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GUERRA HÍBRIDA, Nova via Violenta para a Tomada do Poder

GUERRA-HIBRIDA Nova via Violenta para aTomadadoPoder. É preciso criar novas estratégias de Defesa do Estado Democrático de Direito , jus...

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

GUERRA DA RESISTÊNCIA BRASILEIRA

 

GUERRA DA RESISTÊNCIA BRASILEIRA

Pinto Silva Carlos Alberto[1]

 

1. A GUERRA DA RESISTÊNCIA BRASILEIRA

"Fuzis, audácia e capacidade de durar na ação, ainda são fatores decisivos"

 

É verdade que as teorias não substituem a experiência real de guerra, mas também é certo que essas teorias sempre apresentarão erros que devem ser evitados. Boas teorias, confirmadas por acontecimentos de guerras e unidas à história militar, formarão uma verdadeira escola de instrução para os Comandantes, seus Oficiais e Praças.

O Exército deverá antecipar os prováveis conflitos do milênio, por meio de análise de trabalhos publicados e de estudos prospectivos. Em função desses prováveis conflitos (tipologia e características) serão estabelecidas e desenvolvidas as doutrinas e as tecnologias pertinentes.

"A vitória sorri àqueles que antecipam o caráter da guerra e não aos que esperam para se adaptar depois que ela ocorre". (Giulio Douhet  (1869-1930) – general italiano, teórico do Poder Aéreo e autor do livro "Domínio do Ar")

 

Para esse propósito necessita aperfeiçoar e desenvolver a doutrina da Guerra da Resistência Brasileira, no domínio de uma GUERRA CONVENCIONAL, 3ª,4ª e 5ª WG, apoiada por uma Guerra Irregular, prevendo, também, o adestramento de forças regulares de todos C Mil A, considerando que a escolha do local será feita pelo invasor.

Considerar as ações em ambiente urbano, pois são decisivas para os objetivos da Guerra da Resistência. O combate de resistência não pode ser encarado como exclusividade das operações de selva pois, contra um inimigo decisivamente superior, as ações devem ocorrer em qualquer ambiente onde ele possa ser debilitado em sua vontade de lutar. Tal medida será um fator de motivação profissional capaz de minimizar, inclusive, efeitos negativos de possíveis restrições de recursos.

1.1 O GRANDE DESAFIO E UMA POSSÍVEL SOLUÇÃO

Como combater e vencer um inimigo incontestavelmente superior em poder de combate, de modo a preservar a nossa soberania e a integridade da nação, como a recebemos de nossos antepassados e como temos a obrigação de passá-la aos nossos filhos

A resposta poderá ser a Doutrina da Resistência Brasileira, combate não convencional, de longa duração, do tipo Guerra Irregular.

A Guerra da Resistência encontra raízes na Batalha de Guararapes, que assinala o surgimento do embrião do Exército Brasileiro onde, utilizando táticas nativas, fundamentadas no emprego de pequenos efetivos e no judicioso aproveitamento do terreno, um amálgama de brasileiros, índios, brancos e negros, expulsou o invasor holandês, de reconhecido valor militar.

Sendo, também, essa forma de luta um recurso usado por forças regulares, quando não mais for possível atuar convencionalmente, e contra um oponente cujo poder de combate seja incontestavelmente superior, a vitória final não será viabilizada pela eliminação das forças inimigas e sim pela anulação de sua vontade de continuar combatendo.

1.3 ASPECTOS A SEREM SALIENTADOS

A Guerra da Resistência como forma de condução de uma guerra convencional já vem sendo objeto de estudos estratégicos muito importantes, que permitem realizar este tipo de operação segundo conceitos que aumentam consideravelmente a eficiência e, por conseguinte, permitem o desequilíbrio das forças materiais entre exércitos como os de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Identifica-se a ocorrência de Guerra da Resistência como forma de condução de uma guerra convencional, particularmente onde tropas regulares não conseguem operar ou onde forças regulares de uma nação são fracas demais para fazer frente a um adversário com indiscutível superioridade militar.

A Guerra da Resistência pode também preparar e auxiliar a guerra convencional, complementando, apoiando, ampliando este tipo de guerra com atividade de Guerra Irregular.

Uma "administração de crises" com meios de Guerra da Resistência preparada a partir de uma perspectiva de longo prazo pode, finalmente, ser empregada para demonstrar ao mundo a possibilidade de se contrapor a um ataque de forças convencionais, e desse modo, contribuir para a dissuasão a uma agressão potencial e para manutenção de paz.

"Ao militar, responsável pela segurança externa do país, não cabe achar que não é possível ou dar preferência às suas simpatias. Cabe-lhe tomar que a consequência da imprudência não resulte apenas em monumento à bravura dos mortos e derrotados e nas promessas de que algum dia será retomado aquilo que foi subtraído".

A história está repleta de exemplos de exércitos que foram    

derrotados por deixarem de realizar as necessárias mudanças no tempo devido.

 

Na insuficiência de meios para enfrentar a guerra tecnológica, a proposta é empregar a "Guerra Primitiva", do passado, em apoio a uma Guerra Convencional, que, com ajuda incondicional da população, será vencedora, se houver, desde já, uma eficiente, eficaz e efetiva preparação para lutar contra um invasor poderoso numa guerra de longa duração.

2. UMA NOVA DOUTRINA

Os grandes conflitos da história mostraram a influência da Doutrina Militar para a vitória.

Para que novas Doutrinas sejam aceitas e solidificadas, as mudanças devem iniciar-se desde o interior do próprio indivíduo, criando uma consciência, que o faz aderir às novas ideias, de uma maneira mais eficaz que a imposição através da autoridade hierárquica.

Há necessidade do desapego a dogmas, do rompimento com a rotina, de uma análise e de um estudo das guerras do passado, de onde se retiram grandes lições, sempre atuais e válidas e muitas vezes esquecidas.

Vencer guerras limitadas, de alta tecnologia, empregando uma antiga estratégia com novas táticas e modernos armamentos, com uma nova doutrina de preparo e emprego, onde a vontade de lutar e o conhecimento profissional não possam ser substituídos por aquilo que nos é ditado pelas emoções perante o perigo e a falta de segurança, estes são alguns dos desafios.

Há necessidade não só de uma nova Doutrina, mas de um Exército, e de Soldados obstinados e convenientemente adestrados: A guerra será decidida por fatores morais, não pelas armas.

Uma nova Doutrina, moderna e em constante evolução.

Um Exército de militares dedicados e decididos a lutar, onde o homem será fator preponderante, disciplinado, voltado para a atividade fim, onde a seriedade, o respeito e a camaradagem estarão sempre presentes.

Um Soldado participante, com conhecimento profissional e vontade de lutar, e não um mero cumpridor de ordens.

O desafio será, portanto, o HOMEM e o seu PREPARO para atender o EMPREGO em uma nova CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA, que visa a enfrentar exércitos possuidores de alta tecnologia militar, a DOUTRINA DA RESISTÊNCIA.                    

3. A ESTRATÉGIA INDIRETA[2] NA GUERRA DA RESISTÊNCIA

"Aprendamos a sobreviver na paz e a salvar o que dela nos resta. Aprendamos a estratégia indireta."

 

A opção pela estratégia indireta ocorre em função da inexistência de uma superioridade dos meios militares e/ou da falta de liberdade de ação e/ou da convicção que a solução para o conflito pode e deve ser obtida sem o emprego da violência ou com o emprego da violência, mas sem preponderância da Expressão do Poder Militar Nacional.

O método indireto usa qualquer uma das Expressões do Poder Nacional, que não o militar, para persuadir ou coagir o adversário a aceitar uma solução do conflito; a Expressão Militar contribui de forma complementar, já que o Poder Nacional é indivisível. Basicamente emprega a:

- Persuasão - Meios Diplomáticos e Jurídicos;

- Coerção - Meios Políticos, Econômicos ou Psicossociais.

Portanto, a Estratégia Indireta é "A arte de saber explorar, ao máximo, a estreita margem de liberdade de ação que escapa da dissuasão pelas armas e conseguir sucessos decisivos, apesar da limitação, por vezes extrema, dos meios militares que podem ser empregados."

Na Estratégia Indireta temos:

- Manobra Exterior;

- Manobra Interior.

3.2. Manobra Exterior

A situação vivida na atual conjuntura brasileira é a de paz relativa, uma Guerra Política[3] Permanente, não há inimigo e sim Estados desencadeando ações hostis em defesa dos seus interesses. Está acontecendo um "Conflito na Zona Cinza", (zona cinzenta entre as noções tradicionais de guerra e de paz) caracterizado por uma intensa competição política, econômica, informacional, mais acirrada que a diplomacia tradicional, porém inferior à guerra convencional, realizada por Estados[4] que têm seus interesses desafiados pelo Brasil.

O termo "Permanente", por sua vez, não possui relação direta com a duração das guerras. Diz respeito, na verdade, à condição assumida pelo Estado de que qualquer ação de política externa, em defesa de interesses nacionais, é um "conflito na zona cinza", que se caracteriza por uma intensa competição política, econômica, informacional e militar, mais acirrada que a diplomacia tradicional, mas deliberadamente concebida para permanecer abaixo dos limites de um conflito militar convencional.

Conduzida sobre o tabuleiro de xadrez mundial, em que o essencial da luta não se joga no terreno dos combates, mas fora dele.

Em estratégia, mais do que em outros domínios, é preciso saber distinguir o essencial do acessório.

Na estratégia indireta, o essencial sendo centrado na busca da liberdade de ação, o interesse vai se concentrar nos meios indiretos capazes de assegurá-la; é aí que o esforço deve ser feito em prioridade.

A manobra exterior consiste em realizar o máximo possível de dissuasões: a escolha destas pode ser feita partindo das vulnerabilidades do sistema adverso, opinião pública interna, economia, tabus da psicologia humana, tráfico de drogas, terrorismo etc.

Disto, deve-se deduzir a linha política. É preciso notar que uma linha política defensiva teria um fraco valor de dissuasão, porque a chave da dissuasão é a capacidade de ameaçar. É preciso uma linha política ofensiva.

Deve-se partir dos pontos fracos do inimigo e não de nossas concepções morais e filosóficas, é preciso que nosso sistema de ataque seja concebido em função dos que se quer convencer.

Outro elemento do prestígio dissuasório é estabelecer a credibilidade da nossa capacidade e vontade de reagir lutar e vencer, é a posse de uma doutrina dinâmica, portanto rejuvenescida, que poderá conduzir a este resultado. Enfim, o prestígio resulta, em parte, do temor que se pode inspirar.

Ressaltamos, ainda, como Manobra Exterior:

- Atuação decidida na ONU, na OEA, no BRICS, e no MERCOSUL expondo a Guerra Política desencadeada por alguns países visando atingir o Brasil, e desestabilizar autoridades e a economia;

- Busca de apoio em países, que já fizeram declarações favoráveis ao Brasil; e;

- Procurar as multinacionais instaladas no Brasil discutindo as vantagens de um bom relacionamento entre Brasil e seus países.

3.3. MANOBRA INTERIOR

 

A manobra interior deve ser executada na área onde se desenvolve o conflito, com o objetivo de incrementar e preservar o moral da população e das forças regulares e/ou irregulares amigas, por meio da exploração de ideias-força como patriotismo e independência nacional, ao mesmo tempo em que se busca corroer o moral do oponente e de seus aliados na zona de conflito.

3.3.1. DURAÇÃO

Quando forças materiais são pequenas, devemos compensá-las através de forças morais excepcionalmente grande e uma manobra necessariamente longa, visando a atingir o objetivo, menos por uma vitória militar do que pela manutenção de um conflito prolongado, concebido e organizado para tornar-se cada vez mais pesado para o adversário, utilizando a estratégia da RESISTÊNCIA.

A Estratégia "desenvolve-se através de um conflito prolongado, de caráter total, tendo, na maioria das vezes, fraca intensidade, normalmente à base de ações irregulares, e busca obter a decisão pelo desgaste moral e o cansaço material. Nesta forma de atuar é fundamental 'saber durar' ".

Assim sendo, a operação se desenvolve em dois planos, simultaneamente: o plano material das forças militares e o plano moral da ação psicológica.

3.3.2. PLANO MATERIAL DAS FORÇAS MILITARES

No plano material trata-se, de início, de saber durar. Estando-se em grande inferioridade de meios, só se pode esperar sobreviver recusando o combate e empregando-se uma tática de inquietação para manter a existência do conflito. Isto conduz à GUERRA DA RESISTÊNCIA, velha como o mundo e no entanto esquecida e reaprendida a cada geração.[5]

A GUERRA DA RESISTÊNCIA como forma de condução de uma guerra convencional vem sendo objeto de codificações estratégicas muito importantes, que permitem conduzir este tipo de operação segundo conceitos racionais, que lhe aumentam muito a eficiência, e, por conseguinte, permitem reduzir consideravelmente o desequilíbrio das forças materiais.

3.3.3. PLANO MORAL DA OPERAÇÃO PSICOLÓGICA

No plano psicológico, a ideia geral é ainda saber durar. Para isto, é indispensável que as forças morais dos combatentes e da população sejam desenvolvidas e mantidas a um nível elevado. Simetricamente é preciso levar o adversário a ceder pelo cansaço.

Esta ação psicológica é complexa, pois deve dirigir-se simultaneamente à população e aos combatentes amigos. Ela repousa sobre dois elementos principais: a "linha política de base" e a "escolha da tática psicológica".

A linha política de base, que deve estar em harmonia com a linha política necessária à manobra exterior, deve ser tal que possua capacidade de mobilizar, com vista à luta de paixões do povo que deseja emocionar. Além disso, estas paixões (patrióticas, religiosas, sociais etc.), devem ser apresentadas segundo uma orientação que demonstre a justiça da causa que se quer apoiar.

As táticas psicológicas comportam técnicas bem conhecidas de propaganda e de organização da população, por meio de um enquadramento cerrado e cuidadosamente vigiado. Mas, neste gênero de guerra é sobretudo indispensável compreender que os únicos sucessos são de ordem psicológica e que, portanto, as ações materiais só têm interesse por seu valor no sentido de levantar o moral, o prestígio dos combatentes ou da população.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Brasil não deve permitir que a DEFESA DA SUA SOBERANIA CONTRA PAÍSES DO 1º MUNDO passe a ser um assunto URGENTE, para tanto deve se preparar para fazer frente a esse tipo de ameaça.

"A vontade não trabalha no vácuo. Não pode ser imposta com sucesso se aplicada contrariando a razão. As coisas não acontecem na guerra

porque um homem quer e sim porque são exequíveis". (Brigadeiro General Samuel Lyman Atwood Marshall, historiador militar EUA)

 

4.1 DISSUASÃO – UMA FORMA DE RESOLUÇÃO A SER CONSIDERADA

A dissuasão estratégica "é o conjunto de instrumentos, que utilizam o poder de influência (Soft Power) e poder coercitivo (Hard Power), mediante o emprego de ferramentas de (des)informação, cibernéticas, econômicas, militares e políticas, tanto ofensiva quanto defensivamente, de modo contínuo, independentemente de ser tempo de paz ou guerra, em busca de prevenir conflitos violentos, reverter a escalada de conflitos militares (ou cessá-los no início) ou estabilizar situações político-militares em (potenciais) (coalizões de) Estados de interesse adversários, em condições favoráveis para o nosso país.[6]

A dissuasão não cessa após a eclosão de um conflito. Ela continuará a empregar seus instrumentos ao longo de todas as fases de uma crise político-militar, na tentativa de controlar sua escalada e garantir condições favoráveis. 

4.2 GUERRA DE INFORMAÇÃO – UM DESAFIO A SER VENCIDO

O Ocidente considera as medidas não militares como formas de evitar a guerra, enquanto a Rússia as considera armas de guerra.

A 'Guerra de Informação' são ações ofensivas e defensivas na dimensão informacional, destinadas a obrigar adversários a se submeter à vontade de um ator por meio do emprego de operações cibernéticas, operações psicológicas, guerra eletrônica, segurança de operações e dissimulação militar.

Um documento sobre estratégia russo de 2011, "Convention on International Information Security" ("Convenção sobre Segurança de Informação Internacional"), define Guerra de Informação como um "conflito entre dois ou mais Estados no espaço informacional com o objetivo de causar danos a sistemas, processos e recursos de informação, bem como a estruturas de vital importância e de outra natureza; minar sistemas políticos, econômicos e sociais; realizar campanhas psicológicas em massa contra a população de um Estado para desestabilizar a sociedade e o governo; e forçar um Estado a tomar decisões no interesse de seus oponentes".

4.3 MEDIDAS FUNDAMENTAIS - MANOBRA INTERIOR

- Despertar o interesse da sociedade pelos assuntos de defesa;

"Se o próprio povo não estiver preparado para, se necessário, tomar parte da defesa do seu país, não poderá em longo prazo ser protegido". (Clausewitz)

- Arranjar a harmonização dos três Poderes em assuntos de defesa e política externa;

- Combinar o emprego de forças militares com as ferramentas tipicamente de Estado;

 - Buscar a integração das diversas ferramentas do Poder Nacional e dos grupos não estatais em benefício da defesa dos interesses nacionais do país, forçando o oponente a confrontar vários campos de batalha, simultaneamente;

 - Permitir o uso todos os elementos do Poder Nacional, em uníssono e com a combinação certa de instrumentos diplomáticos, econômicos, militares não cinéticos, políticos, jurídicos e culturais para cada situação;

- Obter a participação da própria população na defesa da soberania da nação;

"A guerra é travada por uma" Tríade Extraordinária "composta por Governo, Forças Armadas e Povo. Uma teoria que ignore qualquer desses três elementos entraria de tal maneira em conflito com a realidade que só por esse motivo ela se tornaria inteiramente inútil". (Clausewitz)

- Entendimento de que todos os fatores do Poder Nacional possuem uma estreita dependência do poder econômico, a ciência de bem aplicá-los na defesa da nossa soberania está na sua integração e harmonização;

- Alcançar a excelência nas atividades de guerra em rede, de inteligência artificial, segurança cibernética, espionagem eletrônica, e o uso de drones como base de fogos e operações de inteligência.

- Procurar que todos os brasileiros, ou a sua maioria, saibam o que é um "Conflito na Zona Cinza[7]"; e

- Usar a Guerra Assimétrica Reversa[8] e a Assimetria Estratégica[9];

 

"Fizemos ontem... Faremos Sempre... Guararapes... E surgiu o Exército".

 



[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES.

[2] Resumo de ideias retiradas de notas de aula da ECEME, de artigos de André Beaufre e ideias pessoais.

[3] "O uso de todos os meios de disponíveis de uma nação para alcançar objetivos nacionais sem entrar em guerra". É uma Guerra Política permanente na Guerra de Nova Geração.

[4] França e Alemanha.

[5] "Guerrilha – Wikipédia, a enciclopédia livre"

[7] "A Zona Cinza se caracteriza por uma intensa competição política, econômica, informacional e militar, mais acirrada que a diplomacia tradicional, porém inferior à guerra convencional".

[8] "Todo e qualquer tipo de conflito bélico em que, pelo menos em algum momento, existe a efetiva limitação ou, em termos mais precisos, autolimitação do emprego da evidente superioridade militar e, particularmente, tecnológica no campo de batalha".

[9] "Em questões militares e de segurança nacional, a assimetria estratégica significa agir, organizar e pensar diferentemente do adversário para maximizar os esforços relativos, aproveitando suas fraquezas, e adquirir maior liberdade de ação" (Steven Metz).

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Gen Pinto Silva – Países Desgarrados

DefesaNet - 06/08/2024 - PENSAMENTO


É característico de seus líderes tratar de seguir uma estratégia de aos que lhe parecem mais aos seus interesses.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Capacidades de Guerra Irregular da VENEZUELA na Fronteira com o BRASIL

DefesaNet - Felipe Gonzales Saraiva da Rocha Graduado em Relações Internacionais.


O assunto Venezuela é tratado pela imprensa brasileira somente como uma questão política interna daquele país.. DefesaNet apresenta uma análise exclusiva sobre os impactos apresentados pela postura agressiva e ativa na região Calha Norte, que atravessa as fronteiras brasileiras. Foto – Durante manobras Maduro congraça com tropas da FANB (Fuerza Armada Nacional Bolivariana – Data 2019

sábado, 27 de julho de 2024

Notas Estratégicas BR – É hora de decidir !


Nelson Düring
Editor-Chefe DefesaNet

A geopolítica mundial e regional mostra que o tempo para se reequipar está acabando. Não podemos postergar projetos de aquisição, já estamos atrasados. Não há mais tempo para escolhas.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

MOBILIZAÇÃO POLÍTICA


Importante ressaltar que a política é um processo contínuo, e a mobilização não deve se restringir apenas ao período eleitoral.

domingo, 14 de julho de 2024

sexta-feira, 28 de junho de 2024

GOVERNO LIBERAL DE DIREITA.

GOVERNO LIBERAL DE DIREITA.

Um governo liberal de direita é caracterizado por políticas que enfatizam a liberdade individual, a livre iniciativa e a minimização da intervenção do Estado na economia. Algumas vantagens frequentemente associadas a esse tipo de governo incluem:

1.   "Promoção da liberdade individual". Um governo liberal de direita defende geralmente a liberdade individual, permitindo que as pessoas tomem decisões pessoais sobre suas vidas e sejam responsáveis por suas próprias escolhas.

2.   "Estímulo ao empreendedorismo e inovação". Políticas que promovem a livre iniciativa e reduzem regulamentações excessivas podem incentivar o empreendedorismo e a inovação, levando ao crescimento econômico e à criação de empregos.

3.   "Menor intervenção do Estado na economia". Governos liberais de direita geralmente acreditam em uma intervenção mínima do Estado na economia, o que muitas vezes resulta em mercados mais eficientes e competitivos.

4.   "Ênfase na responsabilidade individual". Esses governos tendem a enfatizar a responsabilidade individual, encorajando as pessoas a assumirem responsabilidade por suas ações e consequências.

5.   "Redução da burocracia". Ao reduzir a intervenção governamental, os governos liberais de direita geralmente buscam diminuir a burocracia e simplificar os processos, tornando a vida mais fácil para os cidadãos e as empresas.

 

 

sexta-feira, 14 de junho de 2024

 

REMINISCÊNCIAS DA PROFISSÃO

(por Maynard Marques de Santa Rosa)

Na guerra, o que é moral está para o que é material, assim como 3 está para 1(Napoleão Bonaparte).

Napoleão intuiu perfeitamente o valor da motivação como indutor do poder de combate e da liderança como catalisador dessa energia. Seu mais célebre adversário, o Duque de Wellington, afirmou que a simples presença do Imperador no campo de batalha acrescia o poder de combate francês com o equivalente a uma divisão inteira.

Há pouco tempo, o povo do Vietnã demonstrou para o presidente Gerald Ford que camponeses raquíticos altamente motivados eram capazes de superar o poderio militar mais pujante que já existiu na História. Portanto, a força moral da dimensão humana é o que realmente conta, e não a riqueza material.

A conjuntura atual do nosso País mostra uma estabilidade aparente, semelhante à paz dos pântanos, onde o impacto de um pedregulho provoca uma onda que traz à tona a lama do fundo e a espalha pela superfície. O que deu causa à insalubridade social existente foi a ausência de dissuasão militar durante a crise de transição de governo. Para entender que se trata do desfecho de um longo processo, passo a descrever o produto da minha observação pessoal ao longo da vivência dos altos escalões, a partir de 1995.

A autoridade militar no Brasil vem sendo mitigada, progressivamente, pela legislação. O processo é deliberado e imita a metáfora do sapo cozido, isto é, “Aumentando-se a temperatura da panela, gradualmente e de forma sutil, o sapo não reage e se mantém acomodado, até que, ultrapassado o limite suportável, ele morre”.

A escalada começou na Constituinte de 1988, sob motivação revanchista. A “Constituição Cidadã” extinguiu o Conselho de Segurança Nacional (CSN), que representava a expressão militar no cenário político e tinha poder de veto dos empreendimentos nas áreas de Segurança Nacional, como a Faixa de Fronteira. Após extinto, passaram a proliferar as reservas indígenas, quilombolas e ambientais na Amazônia, patrocinadas por milhares de ONGs estrangeiras. E o Poder Militar ficou representado pelos ministros militares.

Em 1995, o governo do PSDB deu um impulso à escalada, com a introdução do conceito de teto histórico no orçamento militar e a redução de poder imposta aos comandantes militares de áreas, que perderam a atribuição de decretar prontidões e de empregar a tropa, passando a competência para o ministro do Exército. Posteriormente, o próprio ministro perdeu essa atribuição, que ficou restrita ao Presidente e aos demais Poderes da República.

O passo seguinte foi a decretação do PNDH-1 (Plano Nacional de Direitos Humanos). Com base nele, criou-se a Comissão de Anistia e iniciou-se a perseguição aos antigos agentes da repressão. A primeira vítima foi o Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI do II Exército (Destacamento de Operações de Informações), que foi difamado pela mídia, sem direito de defesa, e processado na Justiça. A Instituição militar limitou-se a um apoio jurídico discreto e informal. Seguiram-se os “casos” Avólio e Fayad, igualmente indefesos.

Em 1998/1999, houve o lance decisivo da implantação do Ministério da Defesa. A modernização das estruturas de Defesa era uma necessidade estratégica, para garantir a interoperabilidade das Forças, racionalizar os gastos e otimizar a produtividade. No entanto, a motivação política era revanchista e tinha a intenção de limitar o papel histórico do estamento militar, o que afetou a configuração e a mentalidade do novo ministério.

O ministro do Exército foi surpreendido com a solicitação de um representante da Força na Comissão de Trabalho, já com agenda marcada para o dia seguinte. Até então, sequer queria ouvir falar do assunto. Ante o inesperado, atribuiu-me a missão de representar o Exército, devendo providenciar, no prazo de 24 horas, uma relação das atividades comuns às Forças Singulares, passíveis de integração. O grupo de trabalho era chefiado pelo ministro da Casa Civil, Clóvis Carvalho, e incluía o chefe do Gabinete Militar e representantes do MARE (Ministério da Administração e Reforma do Estado), Relações Exteriores (ministra Maria Laura), EMFA, Exército (eu), Marinha (CMG José Antônio de Castro Leal) e da Aeronáutica (um oficial PTTC). O Gen Cardoso chefiou a subcomissão de atividades comuns passíveis de integração.

Até então, as Forças Armadas tinham subestimado o projeto. O Decreto deflagrou um clima de perplexidade e competição. A Marinha teve uma reação corporativista. Seu ministro flertava com a solução mexicana, onda há uma Secretaria da Marinha, autônoma e

paralela à Secretaria de Defesa. Parecia uma saída inviável, por ser o Brasil banhado por um único oceano, enquanto o México se defronta com o Golfo do México e o Pacífico Norte; daí, possuir duas esquadras. As propostas foram centralizadas, retirando a liberdade de ação do seu representante, que só podia opinar a cada sessão seguinte, após ouvido o chefe.

O chefe do EMFA parecia almejar o futuro cargo. O ministro da Aeronáutica, aparentemente, lavou as mãos e ignorou o processo. Seu representante na Comissão era um oficial PTTC em regime de rodízio. Portanto, as Forças Armadas defrontaram-se com o

desafio despreparadas e enfraquecidas pela desunião. Disso se aproveitou o chefe da Casa Civil para impor o projeto do PSDB, baseado na ideologia do “Controle Civil Objetivo”, de Samuel Huntington, que tem como lema: “A chave do cofre e a caneta em mãos civis”.

Percebi a tempo a intenção do governo de centralizar no futuro MD os fundos institucionais das três Forças e seus respectivos centros de Inteligência e de Comunicação Social. Avisei ao ministro, que conseguiu impedir a fusão dos Centros, mas não pôde evitar a inclusão do Fundo do Exército na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Contudo, promovido em março de 1998, fui nomeado comandante da 10ª Bda Inf Mtz (Recife/PE) e liberado da Comissão, perdendo o contato com o assunto.

A Medida Provisória que, posteriormente, instituiu o MD, foi redigida sem consulta às Forças, e conferiu ao novo ministro atribuições inerentes a um comandante civil interposto entre os comandantes militares e o comandante supremo.

Criado o MD em 1999, o Poder Militar caiu para o 2º escalão e passou a ser representado pelos comandantes das Forças Armadas, que são escolhidos pelo Presidente.

Em 2007, já no último posto da carreira, fui exonerado do Ministério da Defesa antes do término da minha comissão, após duas audiências em que representei o ministro Valdir Pires no Congresso e revelei a realidade das ONGs estrangeiras na Amazônia e os interesses por trás da demarcação da reserva indígena Raposa-Serra do Sol.

Em outubro de 2008, a escalada prosperou, com a criação da Comissão da Verdade. A resistência militar foi aplacada por um acordo negociado pelo novo ministro da Defesa, em que as investigações seriam estendidas ao período do Estado Novo. Por óbvio, considerei a solução insuficiente, já que não mais existiam integrantes do governo Vargas a serem investigados. Mas fui voto vencido e, para não me sentir omisso, fiz vazar na internet a mensagem que classificava a Comissão da Verdade como comissão da calúnia. O governo retaliou novamente, mandando me exonerar da chefia do DGP. A decisão foi absorvida passivamente pela Força. Houve até comentários de que a minha atitude mais prejudicava do que ajudava a Instituição. E um companheiro chegou a me desaprovar em particular, ao comentar que: “Cada um de nós é responsável pelos seus próprios atos”.

Em 2019, o governo Bolsonaro, inspirado no discurso dos valores morais, confiou cargos de confiança a quadros da ativa e da reserva, mas não se preocupou em corrigir as anomalias remanescentes. Em vez disso, contribuiu para desabonar ainda mais o estamento militar e reforçar a prevenção política, ao exonerar em massa os comandantes das Forças Armadas, em março de 2021. Como de costume, as instituições absorveram o choque com naturalidade.

Portanto, a reação à crise de 8 de janeiro de 2023 era perfeitamente previsível. É notório que houve imprevidência dos comandos, ao tolerarem concentrações populares em áreas de segurança dos quarteis. Ao admiti-las, ficou subentendido para o povo que: “quem

cala, consente”. O desfecho em Brasília, onde mais de 900 acampados da praça dos Cristais terminaram expulsos e confinados pela Polícia Federal, fez desmoronar a credibilidade institucional e maculou fortemente a imagem da Força.

Não obstante, continua em curso a estratégia de constrição, agora estendida às demais forças de segurança. No âmbito do Ministério da Defesa, alguns titulares fizeram sondagens e tentativas de ingerência ideológica no ensino de formação militar, mas encontraram resistência cultural, pelo menos, até o momento. É provável que persista a intenção, por ser a tática mais eficaz de conquistar as mentes das novas gerações, como ficou provado nas universidades públicas.

No âmbito militar, parece que, com o passar do tempo, a lassidão alastrou-se, o idealismo que animava as antigas gerações foi cedendo espaço ao pragmatismo e a passividade tornou-se rotina. A Instituição perdeu o elã.

“Em nosso valor se encerra a esperança que o povo alcança”. Se o perdemos, esvai-se a esperança popular e grassa o tédio. A convocação popular das Forças Armadas é arquetípica, e sua força emana do inconsciente coletivo. Em crises nacionais como foram as de 1930 e 1964, aflora o arquétipo e o povo cobra.

A Nação espera que cada soldado, marinheiro e aviador cumpra o seu dever.

terça-feira, 21 de maio de 2024

MOBILIZAÇÃO POLÍTICA E AS ELEIÇÕES.

MOBILIZAÇÃO POLÍTICA E AS ELEIÇÕES.

Pinto Silva Carlos Alberto.[1]

(Algumas ideias)

A derrota em uma eleição não deve ser motivo para desânimo, sim, para aprendizado e mobilização ainda maior. É necessário analisar os resultados, identificar os pontos de melhoria e buscar maneiras de fortalecer a mensagem política e o engajamento do eleitorado.

A mobilização política é um elemento fundamental para alcançar sucesso em uma eleição. Os candidatos e suas equipes devem ser capazes de envolver e motivar os eleitores, transmitindo informações claras sobre o objetivo político e as propostas em questão.

Importante ressaltar que a política é um processo contínuo, e a mobilização não deve se restringir apenas ao período eleitoral.

Deve-se manter o interesse e o envolvimento das pessoas ao longo do tempo, por meio de plataformas de comunicação efetivas e estratégias de engajamento político.

Para obter um resultado positivo nas eleições, é fundamental que os candidatos e suas equipes trabalhem em conjunto, tenham um programa político claro e eficiente e estejam comprometidos com a mobilização política constante.

Como alcançar os objetivos previstos de Mobilização Política?

Uma ideia:

- Dinamizando a informação;

- Fortalecendo o trabalho social, permitindo troca de experiências entre organizações e indivíduos geograficamente distantes;

- Promovendo a formação e interação de parcerias;

- Ampliando a troca de conhecimentos e experiências;

- Fomentando a participação da sociedade, pela mobilização conjunta de recursos e competências para influenciá-la, por meio de contatos com grupos sociais diversos: militares; federação das indústrias; federação da agricultura; políticos (Senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores (o vereador de hoje é o deputado ou senador do amanhã), grupos de serviços; lojas maçônicas, grupos religiosos etc.).

Considera-se, ainda, ter um planejamento estratégico que inclua ações e atividades bem definidas.

Dessa forma, será possível construir uma base sólida de apoio e aumentar as chances de vitória.



[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 19 de maio de 2024

Como China ajuda a armar a Rússia na guerra contra a Ucrânia.

Como China ajuda a armar a Rússia na guerra contra a Ucrânia

DefesaNet - Ricardo Fan - 16/05/24



Pequim se tornou o principal fornecedor de equipamentos bélicos de Moscou. Novo ministro da Defesa de Putin não mudará esse rumo. Analistas veem preparativos para uma guerra contra a Otan.

 

LINK: Como China ajuda a armar a Rússia na guerra contra a Ucrânia

quarta-feira, 17 de abril de 2024

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE UMA DISPUTA PELO PODER.

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE UMA DISPUTA PELO PODER.

Pinto Silva Carlos Alberto[1]

(Algumas ideias)

Somente por meio de uma completa compreensão da política e do sistema político nacional pode se levar a disputa, com um todo, ou qualquer de suas campanhas, a um fim bem-sucedido. É o momento que, a esse alto nível da "Grande Estratégia", o líder político deve ser, também, estadista.

Quando se pretende concretizar algo, é conveniente e sensato ter um plano. Quanto mais importante for o objetivo a alcançar, ou quanto mais graves forem as consequências do fracasso, mais importante será o planejamento.

"Planejar uma estratégia", para se obter a vitória na contenda política, significa calcular um curso de ação que tornará provável ir da presente situação até uma futura, através do certame político com eleições livres, e com participação relevante da sociedade nas ações.

O planejamento estratégico geral aumenta a probabilidade de se mobilizar e empregar todos os recursos disponíveis, bem como a eficácia da sua utilização.

Infelizmente, muitas vezes a maioria das pessoas não entende a necessidade, ou não está acostumada, ou treinada a pensar estrategicamente, e a formulação de estratégias para a confrontação política pelo Poder exige, ainda, uma criatividade informada[2].

Num projeto político o que se pretende atingir, deve ser considerado ao determinarmos o Centro de Gravidade (CG) visando o Planejamento Estratégico da Campanha. A pergunta que deve ser feita é: O que se quer conseguir, isto é, qual é o objetivo? O seu CG é a essência do que lhe permite atingir esse objetivo, seja de um ou de outro partido.

Portanto, o fim e o que se conquistado permite atingi-lo estão estreitamente vinculados. A população é o "Centro de Gravidade" a ser conquistado e os líderes, as propostas e atividades políticas dos adversários, vulnerabilidade que se atingida possa conduzir ou auxiliar a se ter resultados positivos.

É preciso considerar que na disputa, pela conquista do Poder, entre um governo democraticamente eleito contra uma oposição de esquerda, o objetivo da "Grande Estratégia", não é simplesmente derrotar a oposição, mas desenvolver um sistema democrático e dificultar a ascensão, pela "via pacífica", de um governo socialista.

Para atingir estes objetivos, os meios escolhidos de disputa política pelo "Poder" terão de contribuir para uma mudança na distribuição de "poder efetivo" na atual sociedade, aumentando sua "relevância política".

A população e as instituições da sociedade têm sido muito fracas e demonstrado pouco interesse na participação das disputas políticas, dando força a governo e uma oposição atuante.

Palavras, sons e imagens realizam pouco, exceto sejam as ferramentas de um plano minucioso e de métodos cuidadosamente organizados. Se os planos são bem formulados e faz-se uso deles corretamente, as ideias transmitidas pelas palavras tornam-se parte integrante das próprias populações.

Quando, na democracia, o público é convencido da racionalidade de uma ideia, ele entra em ação (…) [que é] sugerida pela própria ideia, seja ela ideológica, política ou social (…) mas esses resultados não acontecem do nada (…) eles podem ser obtidos principalmente pela "Preservação do Senso Comum", que é a manutenção de valores, tradições, costumes, modo de pensar, conformidade religiosa e social, sentimentos e outros elementos que dão à sociedade coesão interna, consenso e resistência a mudanças ideológicas.

No nível estratégico, vontade do governo e, principalmente do povo, normalmente, são os fatores que decidem uma eleição.

 

Fontes de consulta:

- Andrew Kkorybko - Guerras Híbridas: A Abordagem Adaptativa Indireta com Vistas à Troca de Regime.

- Da DITADURA à DEMOCRACIA - Uma Estrutura Conceitual para a Libertação (Gene Sharp) - Tradução José A.S. Filardo São Paulo – Brasil

 

 

 

 



[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES

 

[2] Conceito que busca combinar a criatividade com o conhecimento e informações relevantes. Sendo possível gerar soluções inovadoras e criativas para problemas e desafios

domingo, 7 de abril de 2024

Que poder ainda tem a Otan, aos 75 anos?

DefesaNet - 04/04/2024.


O quadro atual é análogo a 4 de abril de 1949: o Ocidente livre se une contra a ameaça que vem do Leste, sob o escudo nuclear dos EUA. Muito depende do resultado da guerra na Ucrânia, e Rússia permanece o maior perigo.

Desafios Geopolíticos na Europa – Parte 1

DefesaNet -05/04/2024.- Janis Berzins


O vídeo discute os desafios geopolíticos na Europa e o impacto das mudanças demográficas na dinâmica de poder global. Ele também destaca o surgimento de movimentos conservadores e a necessidade de uma abordagem sustentável para lidar com essas questões.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

América Latina se torna palco de disputa entre China e EUA

DefesaNet - 28/03/2024


Depois de deixar de lado região, Estados Unidos volta a investir na América Latina. Movimento busca fazer frente à expansão da influência chinesa nos países latino-americanos.

sexta-feira, 29 de março de 2024

NOVOS CONCEITOS NA GUERRA DE NOVA GERAÇÃO RUSSA.

NOVOS CONCEITOS NA GUERRA DE NOVA GERAÇÃO RUSSA.

Ideias Para Discussão: END.

Pinto Silva Carlos Alberto[1]

1. GUERRA DE INFORMAÇÃO RUSSA.

O Ocidente considera as medidas não militares como formas de evitar a guerra, enquanto a Rússia as considera armas de guerra.

Ao contrário das operações de informação, a Guerra de Informação não está definida na doutrina militar. A 'Guerra de Informação' engloba ações ofensivas e defensivas na dimensão informacional, destinadas a obrigar adversários a se submeter à vontade de um ator por meio do emprego de operações cibernéticas, operações psicológicas, guerra eletrônica, segurança de operações e dissimulação militar.

Um documento sobre estratégia russa de 2011, "Convention on International Information Security" ("Convenção sobre Segurança de Informação Internacional"), define Guerra de Informação como um "conflito entre dois ou mais Estados no espaço informacional com o objetivo de causar danos a sistemas, processos e recursos de informação, bem como a estruturas de vital importância e de outra natureza; minar sistemas políticos, econômicos e sociais; realizar campanhas psicológicas em massa contra a população de um Estado para desestabilizar a sociedade e o governo; e forçar um Estado a tomar decisões no interesse de seus oponentes".

Na tomada da Crimeia pela Rússia, em fevereiro de 2014, as ações de Guerra de Informação incluíram, entre outras atividades, "o envolvimento da população local por meio de entrevistas, (pesquisas de opinião) comícios de referendo e reuniões disseminação em massa de mensagens; corte de cabos de fibra óptica; desativação das instalações de canais de televisão ucranianos, substituindo-os por canais russos; ataques de guerra eletrônica contra sistemas de comunicações militares ucranianos; desfiguração de sites ucranianos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN); divulgação de gravações telefônicas e e-mails entre autoridades da Ucrânia, União Europeia e EUA; criação de sites falsos em que a Rússia visou organizações militares ucranianas utilizando as contas de redes sociais de seus integrantes; utilização de sites reais (Facebook, Twitter, Odnklassniki, Vkontakte) para espalhar o pânico e boatos; e ataques distribuídos de negação de serviço em que se enviaram milhares de mensagens de texto e chamadas telefônicas para os celulares de líderes militares e civis, a fim de impedi-los de se comunicar e responder às ações russas"

 Os papéis das duas dimensões, operações letais e operações de informação, foram invertidos. Em vez de representarem uma operação de apoio, as campanhas de informação passaram a ser a operação apoiada.

2. DISSUASÃO RUSSA.

A dissuasão estratégica "é o conjunto de instrumentos, que utilizam o poder de influência (soft power) e poder coercitivo (hard power), mediante o emprego de ferramentas de (des)informação, cibernéticas, econômicas, militares e políticas, tanto ofensiva quanto defensivamente, de modo contínuo, independentemente de ser tempo de paz ou guerra, em busca de prevenir conflitos violentos, reverter a escalada de conflitos militares (ou cessá-los no início) ou estabilizar situações político-militares em (potenciais) (coalizões de) Estados de interesse adversários, em condições favoráveis para a Federação Russa".[2]

A dissuasão não cessa após a eclosão de um conflito. Ela continuará a empregar seus instrumentos ao longo de todas as fases de uma crise político-militar, na tentativa de controlar sua escalada e garantir condições favoráveis. 

Conforme se observou desde a Crimeia até a Geórgia, o foco na dissuasão de nível mais elevado de forças convencionais e nucleares permitiu que a Rússia alcançasse seus objetivos nacionais por meio de uma variedade de instrumentos não letais.

Instrumentos não letais afetaram significativamente a capacidade das formações táticas para dissuadir ou vencer um conflito.

3 GUERRA DE INFORMAÇÃO: VISÃO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Embora a doutrina do Exército dos EUA assinale que "no conflito moderno, a informação passou a ser tão importante quanto a ação letal para determinar o resultado das operações", os integrantes de formações táticas têm uma capacidade limitada para compreender ou influenciar o ambiente informacional. Observe-se que a doutrina se baseia no pressuposto de que a guerra de informação só será executada nos níveis operacional ou estratégico. Isso é questionável, considerando o atual ambiente de ameaças. Como as formações táticas serão significativamente afetadas pela guerra de informação do inimigo independentemente da fase do conflito, elas devem ter a capacidade de entender e influenciar o ambiente informacional. Sem essa capacidade, os adversários continuarão a definir as condições da competição e conflito futuros.

O Exército dos EUA reagiu vagarosamente à guerra de próxima geração e está tentando recuperar essa defasagem, reestruturando seu Comando Cibernético com o objetivo de sincronizar as capacidades da Força para mudar a forma de condução a Guerra de Informação. Isso será realizado por meio da integração e emprego de diversas capacidades para oferecer aos comandantes opções para competir abaixo do nível do conflito armado.

Não obstante essa nova mentalidade, existem desafios para implementar essa diretriz no nível tático:

- "Falta de entendimento do ambiente informacional;

- Integração do ambiente informacional no processo operacional (Isso faz parte de um desafio institucional maior: a ideia de que a "vitória" só pode ser alcançada com operações de combate letais);

- Incapacidade de integrar multiplicadores de força;

- Coordenação ineficaz com parceiros civis;

- Relutância em reconhecer que a guerra de informação afeta a manobra; e 

- Falta de instrução e treinamento contra guerra de nova geração".

4. RESUMO DAS IDEIAS APRESENTADAS PELO AUTOR, JAMES DERLETH,[3] DO ARTIGO BASE UTILIZADO NO TEXTO

A dicotomia 'guerra e paz' já não é um conceito útil para se pensar sobre segurança nacional ou operações táticas. Estamos em um estado de competição e conflito que é contínuo e dinâmico, pode alcançar seus interesses nacionais abaixo do limiar de conflito por meio de operações não letais centradas na Guerra de Informação.

 Em um artigo publicado na revista militar russa Military Thought, I. Vorobyev e V. Kiselyov observaram: "A informação agora é um tipo de arma. Não apenas complementa ataques de fogos e manobras, mas os transforma e os une". Assim, "a informação vem se transformando em uma luta armada por si só".

Para derrotar ameaças multidimensionais, as formações táticas devem ser capazes de entender e influenciar o ambiente informacional. A natureza das ameaças emergentes (por exemplo, fogos de precisão de longo alcance, sistemas de defesa antiaérea em múltiplas camadas, drones, guerra eletrônica, ataques cibernéticos etc.) indica que as futuras operações militares serão conduzidas por unidades táticas. É por isso que, a Rússia tem modificado sua estrutura de força, passando de divisões para formações de escalões mais baixos (brigadas e batalhões).

 A Rússia acredita que o êxito no atual ambiente operacional requer que as formações de escalões mais baixos tenham certa autonomia e capacidade para executar várias missões, porque os fatores citados anteriormente limitarão seriamente a possibilidade de que os escalões superiores lhes apoiem. Isso inclui "subunidades de guerra psicológica e de confronto informacional".

Até que o inimigo reconheça que o espaço informacional não é apenas uma dimensão de conflito, mas também o centro de gravidade, enfrentaremos duas claras alternativas: tolerar desafios não convencionais ou escalar tais desafios                                                                                                                                                                                                                                                       

Isso deixa os EUA em uma posição de enorme desvantagem contra adversários que têm utilizado a informação como arma para influenciar e moldar interações em diferentes domínios em apoio à manobra tática integrada de armas combinadas.

 

MAIS DADOS ENCOTRADOS NO LINK:

https://www.defesanet.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Gen-pinto-Silvaa-A-nova-Guerra-Russa-e-a-Visao-Americana.jpg

 

 



[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES.

[3] A Guerra de Nova Geração Russa Dissuasão e vitória no nível tático, de James Derleth, Ph.D. Publicado na Military Review de Janeiro de 2021)