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GUERRA HÍBRIDA, Nova via Violenta para a Tomada do Poder

GUERRA-HIBRIDA Nova via Violenta para aTomadadoPoder. É preciso criar novas estratégias de Defesa do Estado Democrático de Direito , jus...

sexta-feira, 29 de março de 2024

NOVOS CONCEITOS NA GUERRA DE NOVA GERAÇÃO RUSSA.

NOVOS CONCEITOS NA GUERRA DE NOVA GERAÇÃO RUSSA.

Ideias Para Discussão: END.

Pinto Silva Carlos Alberto[1]

1. GUERRA DE INFORMAÇÃO RUSSA.

O Ocidente considera as medidas não militares como formas de evitar a guerra, enquanto a Rússia as considera armas de guerra.

Ao contrário das operações de informação, a Guerra de Informação não está definida na doutrina militar. A 'Guerra de Informação' engloba ações ofensivas e defensivas na dimensão informacional, destinadas a obrigar adversários a se submeter à vontade de um ator por meio do emprego de operações cibernéticas, operações psicológicas, guerra eletrônica, segurança de operações e dissimulação militar.

Um documento sobre estratégia russa de 2011, "Convention on International Information Security" ("Convenção sobre Segurança de Informação Internacional"), define Guerra de Informação como um "conflito entre dois ou mais Estados no espaço informacional com o objetivo de causar danos a sistemas, processos e recursos de informação, bem como a estruturas de vital importância e de outra natureza; minar sistemas políticos, econômicos e sociais; realizar campanhas psicológicas em massa contra a população de um Estado para desestabilizar a sociedade e o governo; e forçar um Estado a tomar decisões no interesse de seus oponentes".

Na tomada da Crimeia pela Rússia, em fevereiro de 2014, as ações de Guerra de Informação incluíram, entre outras atividades, "o envolvimento da população local por meio de entrevistas, (pesquisas de opinião) comícios de referendo e reuniões disseminação em massa de mensagens; corte de cabos de fibra óptica; desativação das instalações de canais de televisão ucranianos, substituindo-os por canais russos; ataques de guerra eletrônica contra sistemas de comunicações militares ucranianos; desfiguração de sites ucranianos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN); divulgação de gravações telefônicas e e-mails entre autoridades da Ucrânia, União Europeia e EUA; criação de sites falsos em que a Rússia visou organizações militares ucranianas utilizando as contas de redes sociais de seus integrantes; utilização de sites reais (Facebook, Twitter, Odnklassniki, Vkontakte) para espalhar o pânico e boatos; e ataques distribuídos de negação de serviço em que se enviaram milhares de mensagens de texto e chamadas telefônicas para os celulares de líderes militares e civis, a fim de impedi-los de se comunicar e responder às ações russas"

 Os papéis das duas dimensões, operações letais e operações de informação, foram invertidos. Em vez de representarem uma operação de apoio, as campanhas de informação passaram a ser a operação apoiada.

2. DISSUASÃO RUSSA.

A dissuasão estratégica "é o conjunto de instrumentos, que utilizam o poder de influência (soft power) e poder coercitivo (hard power), mediante o emprego de ferramentas de (des)informação, cibernéticas, econômicas, militares e políticas, tanto ofensiva quanto defensivamente, de modo contínuo, independentemente de ser tempo de paz ou guerra, em busca de prevenir conflitos violentos, reverter a escalada de conflitos militares (ou cessá-los no início) ou estabilizar situações político-militares em (potenciais) (coalizões de) Estados de interesse adversários, em condições favoráveis para a Federação Russa".[2]

A dissuasão não cessa após a eclosão de um conflito. Ela continuará a empregar seus instrumentos ao longo de todas as fases de uma crise político-militar, na tentativa de controlar sua escalada e garantir condições favoráveis. 

Conforme se observou desde a Crimeia até a Geórgia, o foco na dissuasão de nível mais elevado de forças convencionais e nucleares permitiu que a Rússia alcançasse seus objetivos nacionais por meio de uma variedade de instrumentos não letais.

Instrumentos não letais afetaram significativamente a capacidade das formações táticas para dissuadir ou vencer um conflito.

3 GUERRA DE INFORMAÇÃO: VISÃO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Embora a doutrina do Exército dos EUA assinale que "no conflito moderno, a informação passou a ser tão importante quanto a ação letal para determinar o resultado das operações", os integrantes de formações táticas têm uma capacidade limitada para compreender ou influenciar o ambiente informacional. Observe-se que a doutrina se baseia no pressuposto de que a guerra de informação só será executada nos níveis operacional ou estratégico. Isso é questionável, considerando o atual ambiente de ameaças. Como as formações táticas serão significativamente afetadas pela guerra de informação do inimigo independentemente da fase do conflito, elas devem ter a capacidade de entender e influenciar o ambiente informacional. Sem essa capacidade, os adversários continuarão a definir as condições da competição e conflito futuros.

O Exército dos EUA reagiu vagarosamente à guerra de próxima geração e está tentando recuperar essa defasagem, reestruturando seu Comando Cibernético com o objetivo de sincronizar as capacidades da Força para mudar a forma de condução a Guerra de Informação. Isso será realizado por meio da integração e emprego de diversas capacidades para oferecer aos comandantes opções para competir abaixo do nível do conflito armado.

Não obstante essa nova mentalidade, existem desafios para implementar essa diretriz no nível tático:

- "Falta de entendimento do ambiente informacional;

- Integração do ambiente informacional no processo operacional (Isso faz parte de um desafio institucional maior: a ideia de que a "vitória" só pode ser alcançada com operações de combate letais);

- Incapacidade de integrar multiplicadores de força;

- Coordenação ineficaz com parceiros civis;

- Relutância em reconhecer que a guerra de informação afeta a manobra; e 

- Falta de instrução e treinamento contra guerra de nova geração".

4. RESUMO DAS IDEIAS APRESENTADAS PELO AUTOR, JAMES DERLETH,[3] DO ARTIGO BASE UTILIZADO NO TEXTO

A dicotomia 'guerra e paz' já não é um conceito útil para se pensar sobre segurança nacional ou operações táticas. Estamos em um estado de competição e conflito que é contínuo e dinâmico, pode alcançar seus interesses nacionais abaixo do limiar de conflito por meio de operações não letais centradas na Guerra de Informação.

 Em um artigo publicado na revista militar russa Military Thought, I. Vorobyev e V. Kiselyov observaram: "A informação agora é um tipo de arma. Não apenas complementa ataques de fogos e manobras, mas os transforma e os une". Assim, "a informação vem se transformando em uma luta armada por si só".

Para derrotar ameaças multidimensionais, as formações táticas devem ser capazes de entender e influenciar o ambiente informacional. A natureza das ameaças emergentes (por exemplo, fogos de precisão de longo alcance, sistemas de defesa antiaérea em múltiplas camadas, drones, guerra eletrônica, ataques cibernéticos etc.) indica que as futuras operações militares serão conduzidas por unidades táticas. É por isso que, a Rússia tem modificado sua estrutura de força, passando de divisões para formações de escalões mais baixos (brigadas e batalhões).

 A Rússia acredita que o êxito no atual ambiente operacional requer que as formações de escalões mais baixos tenham certa autonomia e capacidade para executar várias missões, porque os fatores citados anteriormente limitarão seriamente a possibilidade de que os escalões superiores lhes apoiem. Isso inclui "subunidades de guerra psicológica e de confronto informacional".

Até que o inimigo reconheça que o espaço informacional não é apenas uma dimensão de conflito, mas também o centro de gravidade, enfrentaremos duas claras alternativas: tolerar desafios não convencionais ou escalar tais desafios                                                                                                                                                                                                                                                       

Isso deixa os EUA em uma posição de enorme desvantagem contra adversários que têm utilizado a informação como arma para influenciar e moldar interações em diferentes domínios em apoio à manobra tática integrada de armas combinadas.

 

MAIS DADOS ENCOTRADOS NO LINK:

https://www.defesanet.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Gen-pinto-Silvaa-A-nova-Guerra-Russa-e-a-Visao-Americana.jpg

 

 



[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES.

[3] A Guerra de Nova Geração Russa Dissuasão e vitória no nível tático, de James Derleth, Ph.D. Publicado na Military Review de Janeiro de 2021)

domingo, 24 de março de 2024

O BRICS E A ORDEM MUNDIAL DOMINADA PELO OCIDENTE.

O BRICS E A ORDEM MUNDIAL DOMINADA PELO OCIDENTE.

Ideias Para Discussão: END.

(Um trabalho de pesquisa)

                                Pinto Silva Carlos Alberto[1]

O funcionamento do BRICS foi um dos temas discutidos durante o encontro entre Lula e o presidente chinês, Xi Jinping.

O Brasil precisa de um projeto nacional. O BRICS seria uma aliança estratégica visando uma ordem mundial alternativa?

Verdade ou veleidade?

1. RÚSSIA.

Quando a União Soviética caiu, em 1991, a esperança dos liberais e democratas russos era a de que a jovem Federação Russa, dotada de uma nova economia de mercado e liberdades políticas, "voltaria à Europa".

Em vez de integrar a Rússia ao sistema euro-atlântico, os norte-americanos e os europeus ocidentais começaram a se proteger contra o potencial renascimento das grandes ambições de Moscou.

Forjou-se, para muitos russos, um cenário ideológico em que "o ocidente" é constituído de inimigos claramente voltados contra a "civilização russa".

 A narrativa repousa em uma "identidade de vítima", na qual ela, Rússia, está sob constante ataque do Ocidente – político, cultural e territorial.

O principal objetivo político da Rússia, conforme descrito pelo Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, é ver o fim da ordem mundial dominada pelo Ocidente.

Para a Rússia, seria importante na defesa dos seus interesses uma ligação multilateral forte com os principais países da Organização de Cooperação de Xangai (OCX).

A OCX pode favorecer a ambição geopolítica russa de abrir passagem desde o Sul do Cáucaso para mares quentes do Oceano Índico.[2]

2. CHINA.

A OCX representa mais da metade da população mundial e cerca de 25% do PIB global, além de reunir duas potências nucleares, Rússia e China, e outros dois países, Índia e Paquistão, também integrantes do seleto grupo de nove países detentores de armas nucleares. Na fila para a admissão como próximo membro pleno, está o Irã, outra das potências emergentes que estão balizando o novo cenário global multipolar.

Outros membros observadores são o Afeganistão, Bielorrússia e Mongólia, enquanto o Azerbaijão, Armênia, Camboja, Nepal, Turquia e Sri Lanka são parceiros de diálogo.

Essa "nova" política asiática da China corre o risco, entretanto, de ser um conto de fada para as pretensões da Rússia, ao depender demasiadamente da China, dada a atual prioridade chinesa para a conquista de maior influência na configuração global do poder, não pela via bélica e sim pela via dos mecanismos frios da economia, o que implica boas relações com parceiros ocidentais de peso, a começar pelos EUA e UE.


3. BRICS

É um dos poucos organismos globais não dominados pelo Ocidente.

Alguns índices econômicos apontam que os Integrantes do BRICS têm potencial para se tornarem economias dominantes em pouco tempo, juntos eles detêm 26,46% do território do planeta e, aproximadamente, 40% da população mundial. Além disso, um terço do produto interno bruto (PIB) do planeta.

A falta de sinergia entre os integrantes do BRICS se reflete em seus modestos laços econômicos – exceto quando se trata da China. Entre os parceiros comerciais da Rússia em 2020, a China ficou em terceiro lugar (11,3% do total) e a Índia em décimo (1,2%). No caso da China, apenas a Rússia (nona com 2,2 por cento) e o Brasil (décimo com 2 por cento) estavam no top10. A China foi o segundo parceiro comercial da Índia (9,2%), do Brasil (17,1%) e da África do Sul (12,8%). Os outros BRICS não figuram entre os dez maiores parceiros destes três últimos países, com exceção da Índia no comércio externo da África do Sul (quinto com 4,4%).

Devemos considerar que países membros individuais, em particular a China, são influentes, mas coletivamente a influência do grupo BRICS é mínima. Sua lassidão foi assinalada por acontecimentos recentes: a desaceleração do crescimento econômico chinês, as recessões na Rússia e no Brasil, o permanente atraso da Índia e a quase irrelevância da África do Sul.

Uma vez que os conceitos impalpáveis adquiriram fundamentos de verdadeiros, a ascensão dos países BRICS passou a expressar, para alguns, uma tendência maior a mudança do poder global do Ocidente para o Leste.

Chama a atenção, mais ainda, a alegação de que os BRICS formam a base de uma nova ordem multipolar. Isso é uma utopia. Mesmo quando se tem em conta a brevidade da existência dos BRICS, é evidente que não há uma grande unidade dentro do grupo para montar um desafio ao Ocidente ou instituições como o FMI e o Banco Mundial, ou a mudança do poder global do Ocidente para o Leste.

A ideia dos BRICS como uma ordem mundial alternativa está tão longe da realidade e nenhum de seus membros, à exceção da Rússia, deposita qualquer esperança nisso.

Os objetivos e aspirações dos países componentes dos BRICS são incompatíveis?

As principais preocupações da China estão em outro lugar, usa a geoeconomia para atingir

seus objetivos geopolíticos. A Índia tem assumido um perfil pragmático, participa do

QUAD[3], compra armas e petróleo da Rússia, consciente de restrições estratégicas como manter os Estados Unidos do seu lado, tendo os BRICS como prioridade secundária. As dificuldades crônicas do Brasil (Econômicas e de Poder Militar) e a tirania da distância limitam severamente sua influência para além da América Latina. E a presença da África do Sul é essencialmente para aumentar as credenciais globais do grupo.

4. CONCLUSÃO.

O BRICS tem grande importância estratégica para a Rússia na defesa do seu objetivo de ver o fim da ordem mundial dominada pelo Ocidente.

O grupo, notadamente, evoluiu desde sua criação, deixando de ser meramente um agrupamento de economias emergentes com previsão de crescimento econômico para se tornar um agrupamento político, no entanto ainda há um "longo caminho a percorrer" para que o BRICS faça frente aos países hoje considerados desenvolvidos, e busque o fim da ordem mundial dominada pelo Ocidente.

 

Fontes de consulta:

- Brics Importante Para Retomada Da Economia Brasileira, Dizem Especialistas.

Link:http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-08/brics-e-importante-para-retomada-da-economia-brasileira-dizem

- A ilusão da convergência — Rússia, China e os BRICS

Link: https://passapalavra.info/2017/03/111248//

- A Integração da Eurásia do Século XXI.

Link:http://www.defesanet.com.br/russiadocs/noticia/27528/GenEx-Pinto-Silva---A-Integracao-da-Eurasia-do-Seculo-XXI--/

  

Publicado na DefesaNet em 14/05/2023 

 



[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES.

[2] Índia, Paquistão e futuramente Iran.

[3] "QUAD", Diálogo de Segurança Quadrilateral firmado em 2007 entre Austrália, EUA, Índia e Japão.

TEORIAS DA “ZONA DE PAZ” E DA “INTERDEPENDÊNCIA PACÍFICA”

TEORIAS DA "ZONA DE PAZ" E DA "INTERDEPENDÊNCIA PACÍFICA"

Ideias Para Discussão: END.

Pinto Silva Carlos Alberto[1]

Discussão necessária no momento que governo, políticos, e a própria sociedade emitem opiniões contra as Forças Amadas e sua existência

1. GENERALIDADES

A crescente proliferação de armas de destruição em massa, o auge da aplicação de tecnologias civis para fins militares e a debilidade de todos os sistemas anti e contra essa proliferação apontam, conjuntamente, à possibilidade de guerras "pequenas" crescerem e se tornarem maiores e mais horríveis e atravessarem as fronteiras, incluindo as da chamada "Zona de Paz" e atingirem países em regiões cobertas pelo mito da "Interdependência Pacífica".

Cada vez torna-se mais difícil proteger partes do sistema global da desorganização ou destruição que se vive em outras zonas.

As massas de imigrantes se infiltram pelas fronteiras, a contaminação e os desastres não respeitam as linhas divisórias entre países e suscitam inquietude política, e outras perturbações regionais em perspectivas, trazem uma série de novos problemas genéricos, sendo que qualquer um deles poderia explodir em um conflito a qualquer momento.

Há, portanto, que se discutir se no mundo atual é possível se manter o mito da "Zona de Paz" e da "Interdependência Pacífica".

2. QUEBRA DE FRONTEIRAS.

A economia baseada na era do conhecimento e da informação, com sua indústria e serviço, ignora cada vez mais os limites nacionais existentes. Os meios de comunicação e informação (Televisão e a 'internet') proporcionam um apoio cultural às forças tecnológicas e econômicas, invadindo países sem considerar seus limites, de modo que as mudanças simultâneas, desde cima e debaixo, minguam a razão de ser dos mercados nacionais e das fronteiras que os justificam.

Há a possibilidade futura, ainda mais estranha, quando as atuais Fronteiras Nacionais perderão sua legitimidade e os adversários começarão a atuar no coração mesmo da chamada "Zona de Paz".

3. DIPLOMACIA OBSOLETA.

As velhas ferramentas da diplomacia se revelaram obsoletas, juntamente com a ONU e muitas outras Instituições Internacionais como a OEA.

O mundo se acha intensamente induzido por agentes não nacionais como empresas globais, movimentos políticos que superam as fronteiras, movimentos religiosos, e ativistas ligados ao Meio Ambiente, como o Greenpeace.

As Instituições Internacionais, incapazes de incorporar, cooptar, debilitar ou destruir as novas frentes não nacionais de poder, acabaram por tornarem-se irrelevantes.

4. A AMEAÇA DA INTERDEPENDÊNCIA.

É preciso discutir o mito tranquilizador surgido ao calor da noção da "Zona de Paz" e da "Interdependência Pacífica".

Os geoeconomistas, e outras personalidades e entidades, podem argumentar que os conflitos militares mínguam quando as nações se tornam mais dependentes uma das outras no comércio e nas finanças. É bom lembrar que quando a Alemanha e a Grã-Bretanha se lançaram à guerra em 1914, cada uma delas era associado comercial mais importante do outro, e ainda, mais recentemente, as discordâncias entre a Alemanha e Polônia no âmbito da OTAN.

Muito importante, contudo, menos observado, é que se a Interdependência Pacífica cria laços entre as nações, também torna o mundo muito mais complexo.

Regulamentações ambientais no Brasil são suscetíveis de modificar o preço da madeira, dos alimentos, e dos produtos pecuários em vários países, principalmente na América Latina.

Quanto maior seja a Interdependência mais serão os países comprometidos e mais ampliadas e ramificadas as consequências.

Contratempos, de toda ordem, e mesmo que pontuais, podem desempenhar, também, um papel relevante nessa interdependência. Consequentemente, crescem vertiginosamente os riscos de resultados inimagináveis e multiplicam-se os erros de cálculo político.

A Interdependência, em suma, não tem que fazer forçosamente mais seguro o mundo, e, muitas vezes, significa justamente o contrário.

5. CONCLUSÃO.

Hoje em dia se tornam muito duvidosos os pressupostos em que se baseia a Teoria da Zona de Paz: o desenvolvimento econômico, a inviolabilidade das fronteiras, a estabilidade política, o tempo para negociações e consultas, e a eficácia das Organizações Intuições Internacionais.

Esse ambiente presunçosamente confortável pode, a qualquer momento, evoluir para um recinto de conflito armado.

Para reduzir o risco da surpresa com a mudança repentina de cenário, temos que nos mostrarmos seriamente realistas às Transformações da Guerra, Antiguerra e, ainda, céticos com as Teorias da "Zona de Paz" e da "Interdependência Pacífica" entre países, enquanto o Brasil, como nação soberana e independente deve procurar manter suas Forças Armadas em condições de fazer frente a essas possíveis ameaças.

 

Fonte de consulta.

- Ideias retiradas do livro: LAS GUERRAS DO FUTURO – La supervivência em el alba del siglo XXI. Alvin y Heidi Toffler. Publicado em 1993. Título original: War and Anti-War.

Publicado no DefesaNet em 30/03/2023



[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES.