IDEIAS DE
JOMINI DA POLÍTICA E SUA RELAÇÃO COM A GUERRA
Pinto Silva
Carlos Alberto[1]
(Pequenas Citações)
Do Livro “JOMINI - A ARTE DA GUERRA” –
Tradução Major Napoleão Nobre – Original Americana,” Jomini’s Art Of War”,
Edição de1947 – J. D. HITTLE.
1. UMA PEQUENA PASSAGEM
POR JOMINI
Antoine Henri Jomini nasceu em Payerne
(Suíça), no cantão de Vaud, em 6 de março de 1779. Aos vinte anos, se juntou ao
Exército Suíço. Após começar como ajudante de ordens do ministro da guerra, foi
promovido a capitão, depois comandante e, em seguida, chefe do secretariado de
guerra.
Deixou o Exército Suíço e fixou-se em Paris.
Em 1803, começou a escrever seu Tratado sobre a Grande Tática (Traité
sur la grande tactique ), em que a grande tática era o ramo dos
estudos militares relacionado aos grandes movimentos de tropas, ou seja, à
movimentação de corpos e exércitos, antes e durante a batalha. Ney,
após ler o Tratado, convocou Jomini como ajudante de ordens voluntário,
incorporando-o ao exército francês.
A pedido, do agora Marechal, Napoleão nomeou,
em 1805, Jomini como ajudante-comandante (coronel do Estado-Maior) e primeiro
ajudante de ordens de Ney.
Permaneceu nessa situação até 1809, quando
foi dispensado por Ney, passando a servir no Estado-Maior do Imperador,
chefiado pelo marechal Berthier.
Em dezembro de 1810, após apresentar um
pedido de demissão do Exército, foi promovido a general de brigada por Napoleão
e nomeado chefe do departamento histórico do quartel-general da Grande Armée,
com a incumbência de escrever a história das campanhas do imperador desde 1796.
Em 1813, foi nomeado chefe do Estado-Maior do
3º Corpo, sob o comando de Ney, tendo sido, Marechal, recomendado para promoção
a General de Divisão, mas Berthier o removeu o nome da lista de promoções e,
ainda, o puniu por não ter dado entrada com os relatórios do 3º Corpo nas datas
previstas.
Magoado, transferiu-se, durante uma trégua na
guerra, para o exército russo, causando um grande escândalo nas fileiras
francesas, onde seu gesto foi tido como deserção e traição, com o que Napoleão
nunca concordou, afirmando que ele não era francês e não recebeu o
reconhecimento que lhe era devido.
Na Rússia não obteve comando de tropa e
serviu como ajudante de ordens do Czar Nicolau I, criou a Academia Militar de
São Petersburgo, sendo seu comandante; participou, em 1828, da campanha contra
a Turquia e o cerco de Varna com Nicolau I; foi conselheiro de Nicolau I
durante a Guerra da Crimeia.
Aos 80 anos, retirou-se para a França e
assessorou Napoleão III na campanha italiana (1859).
Além do Tratado sobre Grandes Operações
Militares, escreveu, ainda, “Os princípios da Estratégia”, “A História
crítica e militar das Guerras da Revolução”, “A vida política e militar de
Napoleão” e “Princípios da Arte da Guerra”.
Jomini postulava ser a guerra uma ciência
exata. Segundo ele, o sucesso militar dependia da aplicação rigorosa de
princípios geográficos e regras universais, em que campo de batalha e o teatro
de operações devem ser analisados por mapas, distâncias e meios de
deslocamento; que os princípios da estratégia funcionam em qualquer momento da
história; que a ação ofensiva, com iniciativa no ataque, é sempre preferível à
defesa passiva.
“A influência de Jomini no pensamento militar
foi enorme e perdurou muito depois de sua morte; para muitos militares, Jomini
foi o tradutor dos segredos do gênio de Napoleão. Se Napoleão era o deus da
guerra, escreveu Antoine Grouard, então Jomini era seu profeta”. (Lee B
Kennett)
2. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES RELEVANTES
Como
as paixões exercitadas do povo hostil constitui em si mesmo um poderoso
inimigo, o general e seu governo devem empregar os melhores esforços para
acalmá-las.
Por
outro lado, o general deve fazer tudo para eletrizar seus próprios soldados e
incutir neles o mesmo entusiasmo que ele se esforça por reprimir no seu
adversário.
Alguns
contestam as vantagens do entusiasmo, e preferem o sangue frio imperturbável nos
combates. Ambos têm inequívocas vantagens e desvantagens. O entusiasmo impele à
realização de grandes ações, mas a dificuldade está em mantê-lo constantemente,
e quando uma tropa exaltada perde a coragem, a desordem nela se introduz
mais rapidamente.
A
união faz a força; a ordem produz essa união, e a disciplina conduz à ordem; e
sem disciplina e sem ordem, nenhum sucesso é possível.
Ação
de um gabinete, com referência ao controle de exércitos, exerce também
influência sobre a audácia das operações. Um general, cujo gênio e cujas mãos
estão atados por conselho áulico, a quinhentas milhas de distância, não pode
competir com um outro que tem liberdade de ação, supondo iguais todas as
outras coisas.
Se
a habilidade de um general é um dos mais seguros elementos da vitória, prontamente
se verá que a judiciosa escolha de generais é um dos pontos delicados da
ciência do governo e uma das partes mais essenciais da política militar de um Estado.
3. SOBRE INSTITUIÇÕES MILITARES E
A POLÍTICA
Um dos pontos mais importantes da política militar de
um Estado é o que concerne à natureza de suas instituições militares. Um excelente exército comandado por um
general medíocre pode realizar grandes feitos; um mau exército comandado por um
grande capitão pode fazer outro tanto; mas um exército fará
certamente muito mais se juntarmos a qualidade das tropas e os talentos dos
seus chefes.
Estamos longe de dizer que um governo deve
sacrificar tudo ao exército, pois isso seria um absurdo, mas
precisa de fazer do exército o objeto de seus constantes cuidados.
Quando o controle dos fundos públicos está nas mãos
daqueles que são dominados por interesses locais ou partidários, podem
tornar-se tão excessivamente escrupulosos e tacanhos que tiram todo o poder de
conduzir a guerra ao executivo, a quem muitas pessoas se aplicam em tratar como
um inimigo público mais do que é como um chefe devotado a todos os interesses
nacionais. O abuso das liberdades públicas mal
compreendidas podem também contribuir para esse deplorável resultado.
Estou longe de aconselhar que os Estados devem
sempre ter a mão na espada e em pé de guerra. Tal situação seria um flagelo
para a raça humana. "Quero dizer simplesmente que
governos civilizados precisam estar sempre prontos para fazer a guerra sem
delongas, isto é, que eles não devem nunca ser encontrados despreparados."[2]
É particularmente necessário exercer vigilância
sobre a preservação dos exércitos no período de uma longa paz, quando eles se
podem mais facilmente degenerar. É importante nutrir o espírito militar
dos exércitos.
A superioridade de armamento pode aumentar a
probabilidade de sucesso na guerra; o armamento por si mesmo não ganha
batalhas, mas contribui para ganhá-las.
As novas invenções dos últimos 20 anos (início do século XIX) parecem
ameaçar uma grande revolução na organização e no armamento dos exércitos e
mesmo na tática. Só a estratégia permanece inalterada, sendo os seus princípios
os mesmo que sob Scipião e César, Frederico e Napoleão, pois
são independentes das armas e da organização das tropas.
Os meios de destruição estão se aproximando da
perfeição com horrível rapidez.
4. EM POUCAS PALAVRAS, ALGUMAS DAS BASES
ESSENCIAIS DE UMA POLÍTICA MILITAR QUE DEVE SER ADOTADA POR UM GOVERNO SÁBIO, SEGUNDO
JOMINI
O príncipe deve receber uma educação ao mesmo tempo
política e militar. Ele encontrara provavelmente mais homens
de capacidade administrativa nos seus conselhos, do que bons estatistas e
soldados; por isto, procurar ser estas duas coisas.
Se o príncipe em pessoa, não conduz seus exércitos,
deve ser a sua primeira tarefa e seu imediato interesse ter o seu lugar
preenchido. Deve confiar a glória do seu reino e a
segurança dos seus estados ao general mais capaz de dirigir seus exércitos.
O exército permanente não deve apenas se achar em um
estado de organização respeitável, mas deve ser capaz de ser dobrado, se
necessário, por reservas, sabiamente preparadas. Sua instrução
e disciplina devem ser de alto caráter, tanto quanto sua organização; seu
armamento deve ser pelo menos tão bom quanto a dos seus vizinhos, e superior,
se possível.
O material de
guerra deve também estar nas melhores condições e ser abundante. O
zelo nacional não deve impedir a adoção de todos os melhoramentos inventados em
outros países.
É necessário que o estudo das ciências militares
deva ser encorajado e recompensado. Tanto quanto a coragem e o zelo. As
corporações militares devem ser estimadas e honradas; este é o
único caminho de ter para o exército homens de mérito e de gênio.
Em tempo de paz, o estado maior geral
deve fazer seus planos para todas as eventualidades possíveis de guerra. Por isso, é
essencial que o chefe das corporações e um certo número de seus oficiais, devam
estar permanentemente estacionados na capital em tempo de paz, o depósito da
guerra deve ser simplesmente do estado maior geral.
As condições financeiras de uma nação devem ser
pesadas entre os riscos de guerra. Contudo, seria perigoso atribuir
constantemente, a essas condições a importância dada a elas. Quando,
porém, os levantamentos nacionais de tropas são bem organizados, o dinheiro não
mais exerce a mesma influência, pelo menos para uma ou duas campanhas.
Uma potência pode transbordar-se de ouro e, ainda
assim, defender-se pessimamente. Na realidade, a história prova que a nação
mais rica não é nem a mais forte, nem a mais feliz. O ferro pesa pelo menos
tanto quanto o ouro na escala de valores militares. Ainda assim, devemos
admitir que uma feliz combinação de sábias instituições militares, de
patriotismo, de finanças bem reguladas, e de riqueza interna e crédito público,
dá uma nação a maior força e a torna capaz de sustentar uma longa guerra.
De todas as teorias sobre a arte da guerra, a única
razoável é aquela que, fundamentada no estudo da história militar, admite um
certo número de princípios reguladores, mas deixa ao gênio natural
a maior parte da conduta geral de uma guerra sem tolhê-la com regras exclusivas.
“Ao contrário nada é mais apropriado para
liquidar o gênio natural e fazer triunfar o erro do que essas teorias pedantes,
baseadas na falsa ideia de que a guerra é uma ciência positiva, cujas
operações podem todas serem reduzidas a cálculos infalíveis.” [3]
[1] Carlos
Alberto Pinto Silva / General de Exército Veterano / Ex-comandante do Comando
Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações
Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA,
Membro da Academia de Defesa.
[2] https://www.defesanet.com.br/defesa/o-comandante-supremo-e-os-ensinamentos-da-historia-militar/#google_vignette
[3] (“(Microsoft
Word - 04_Introdu\347\343o \340 Estrat\351gia 2010 viz.doc)”)
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